sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Conto de ônibus

Hoje no meio de um engarrafamento havia uma senhora e uma criança no banco na minha frente. A moça deveria ter lá pros seus cinquenta e poucos anos. O menino, se eu tivesse que dar um chute, diria que tinha treze.
Enquanto um senhor cochilava ao meu lado, prestava atenção naquelas risadas que as pessoas da frente davam enquanto conversavam. Aquelas longas risadas.
Eu não faço ideia do grau de parentesco entre eles ou se é que tem um grau de parentesco. Entretanto, a amizade e risadas sinceras me pegaram de surpresa.
Sabe aquelas risadas que te fazem rir junto, mesmo sem saber o assunto? Assim que eu estava. Me peguei tentando segurar um sorriso.
As gargalhadas destoavam do resto do ônibus. Enquanto a maioria se distraia com o celular ou só olhando pela janela, aquelas pessoas aproveitaram a presença um do outro.
Acho que a gente deveria tentar ser assim também. Compartilhar besteiras do dia a dia, perder o fôlego de tanto rir de uma história contada por um amigo.
Isso faz tão bem. Espalhar alegria por onde for. Quando eles desceram do ônibus, pediram uma informação e ao final agradeceram.
Mas na verdade, eu é quem deveria ter agradecido. Ter dito obrigada por me fazerem rir com eles sem nem mesmo saber do que se tratava.
 Obrigada, queridos desconhecidos.
Anna C.

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