Andei pensando sobre o modo como cada pessoa busca sua "Fuga da realidade". Enquanto algumas pessoas encontram nos livros, a sua fuga, outros desenham, pintam, dançam... Eu diria que quando a realidade é insuportável, as pessoas fazem de tudo para amenizá-la.
Uma das coisas que mais amo fazer é viajar. A ideia de um mundo alternativo, com novas personalidades, novos lugares, novas descobertas, me fazem sempre buscar um novo destino.
Outra coisa que amo fazer é ler. Mas nem sempre foi assim. Quando pequena, eu só lia os livros recomendados pela escola, e obrigada. Geralmente eram aqueles livros de menos de cinquenta páginas onde o protagonista vive num castelo de açúcar e tudo sempre acaba relativamente bem.
Até que um dia, no oitavo ano, tive que ler o livro: "A Imperatriz dos hetéreos", da Laura Galego, e não sei o porquê, mas aquele livro conseguiu me conquistar de uma maneira que nenhum outro livro jamais conseguiu. E foi aí que percebi que o velho ditado que minha mãe costumava me dizer quando eu era pequena, "Se não tentar, nunca vai saber o que perdeu", fazia sentido. Muito sentido.
Passei a idolatrar a leitura, e me tornei uma pessoa que eu não esperava me tornar.
Quando paro pra reler esse texto, percebo que tenho um sério problema. Não consigo discutir sobre somente um tema. Começamos a falar sobre maneiras de fugir da realidade e agora me pego falando sobre ditados de minha mãe. Mas, afinal, até que faz sentido, não? Quando precisamos desesperadamente fugir da realidade, buscamos sempre as opções mais óbvias. Mas se pelo menos uma vez na vida, não nos arriscarmos, nunca vamos descobrir o que realmente nós somos ou o que realmente nos faz bem.
Anna C.

Foto: Laura.
17/09/14 - 23:11